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a moeda unica
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    Não foi muito difícil aos nossos governantes convencer-nos a aderir ao Euro. Falaram da moeda única, o que foi um admirável exercício de gramática, porque, na realidade, para os portugueses trata-se da única moeda. Mas literalmente! Ou seja, depois de pagas as coisas todas aos novos preços iguais à restante Europa, nada mais nos resta do que uma única moeda. E, se tivermos sorte, é uma moeda de 1 Euro, como esta aqui ao lado, que nos sobra, embora, no meu caso seja uma moeda de 1 cêntimo.

Mas o que nos falta em inteligência e perspicácia sobra-nos em perseverança! E lá vamos nós contentes pagar aumentos de 110% (como as portagens) porque: "Que diabo! É só 1 euro!", Mas é o meu único euro seus fariseus! E garanto-vos que isto é terrível, até para as relações familiares. Por exemplo, um pobre de dedicado pai leva as suas duas filhas a um passeio por uma qualquer rua de comércio. Depressa as catraias descobrem uma das infernais máquinas de balouço em forma de dinossauro com uma melodia espanhola surrealista e cheio de estática. Claro que junto à ranhura das moedas está: "1 euro". A mais velha das miúdas reclama como seu o direito de andar na máquina, a pequena apela para o facto de ser mais novinha, e o pai só pensa na sua única moeda engolida pelo carrocel dantesco. Tem então quatro hipóteses: a) Deixa a mais velha andar e causa recalcamentos eternos na mais nova minando para sempre a possibilidade de viver na casa da filha quando chegar a andropausa, b) Deixa a mais nova andar e arrisca-se a que a mais velha saia permaturamente de casa, c) Não deixa nenhuma andar e será para sempre o pai tirano obsessivamente oposto à diversão, d) Deixa as duas andar ao mesmo tempo e então pode arranjar uma carga de trabalhos quando a máquina se partir e as filhas ficarem com escoleoses para juntar ao acne que se avizinha na adolescência. Qualquer das hipóteses é uma sentença pesada para o pobre Português preso nas malhas da sua única moeda.